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Este é um dos pensamentos do Padre José Benito Serra e de Madre Antonia, co-fundadores da Congregação das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor.

Do sonho de Padre Serra e Madre Antonia nasceu a missão das Irmãs Oblatas. Uma história de entrega, acolhida, misericórdia e solidariedade, na luta pela Humanização e Libertação da Mulher em Situação de Prostituição.

Fundada em 2 de fevereiro de 1870, a Congregação de Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor nasceu da inquietação e da misericórdia vivenciadas por Pe. José Serra e Madre Antonia diante do abandono e da miséria em que se encontravam as mulheres em situação de prostituição daquela época. Ambos fizeram de suas vidas um compromisso com a libertação e humanização dessas mulheres.

Padre José Benito Serra nasceu em 11 de maio de 1810, na cidade de Mataró – região de Barcelona (Espanha) Teve uma infância difícil e pobre, especialmente depois de tornar-se órfão aos 11 anos. Aos 16 anos entrou para a Ordem de São Bento, no mosteiro de São Martinho de Santiago de Compostela, sendo ordenado sacerdote em 18 de março de 1835. As crises políticas e perseguições religiosas em seu país forçaram-no a buscar refúgio em Roma.

Com o objetivo de continuar a vida beneditina no mosteiro da Santíssima Trindade de Cava -Nápoles, onde conheceu o trabalho das Missões além fronteiras. Engajado nesta Missão na Austrália, onde trabalhou com os aborígines, foi nomeado bispo, assumindo a obra de evangelização nas cidades de Port Victória e Perth, onde formou comunidades, construiu igrejas e teve seu primeiro contato com mulheres em situação de prostituição. Eram moças irlandesas que haviam cometido pequenos delitos, movidas pela fome em seu país e chegavam ali enviadas pela corte britânica. Indignado com a situação, Pe. Serra comentava: “Não posso ajudar apenas aos nativos explorados pelos colonos ingleses. Aquelas moças enviadas para cá também são exploradas”.

Como colônia da Inglaterra, a Austrália era predominantemente protestante, o que levou Pe. Serra a vivenciar vários conflitos. Movido por questões políticas, regressou a Itália em 1860, solicitando a sua renúncia como bispo ao Papa Pio IX e, enquanto aguardava por sua liberação, iniciou a Obra Apostólica em favor das Missões. Sua volta a Roma também foi marcada pelo primeiro encontro com Antonia Maria de Oviedo Schontal, começando ali uma grande amizade que resultaria anos depois na fundação da Congregação de Irmãs Oblatas.

Em 1862, já em Madri (Espanha), Pe. Serra dedicava seu tempo às atividades pastorais, como: Escolas Dominicais, Conferências de São Vicente de Paulo e visitas ao Hospital São João de Deus. Foi neste hospital que ele mais uma vez pode presenciar as dores e os sofrimentos de mulheres excluídas pelos vícios e prostituição. Feridas no corpo e na alma, essas mulheres vítimas do desemprego e da pobreza, que assolaram a população rural em plena Revolução Industrial, viam na prostituição a única resposta para sua sobrevivência. Acometidas por doenças, eram enviadas ao Hospital João de Deus e entregues a própria sorte.

A realidade daquelas mulheres que, quando enfermas, eram mantidas nos porões do Hospital e, quando curadas, não tinham para onde ir e nem uma opção de trabalho fora da prostituição, pois suas famílias não as aceitavam de volta e ninguém queria dar-lhes emprego, novamente sensibilizou o coração misericordioso de Pe. Serra, levando-o a afirmar: “É muito doloroso o que tenho presenciado para ficar tranqüilo, sem fazer alguma coisa por elas. Se todas as portas estão fechadas, eu lhes abrirei uma onde possam se salvar”. Neste momento, Pe. Serra tomou a decisão de ajudar essas mulheres.


A menina Antonia Maria de Oviedo SchontaI nasceu em 16 de março de 1822, na cidade de Lausanne (Suíça). Em seguida ao nascimento, seu pai, Antonio de Oviedo, dirigiu-se para a Inglaterra em busca de melhores condições de trabalho. Em função disso, ela não teve oportunidade de conhecê-lo, pois este logo adoeceu e veio a falecer.

Antonia tinha 13 anos, quando sua mãe, Suzana Schonthal, foi a Londres para cuidar do esposo doente. Após a morte do pai, mãe e filha retornaram à Suíça, fixando residência em Friburgo, juntamente com duas tias.

A então adolescente Antonia falava 5 idiomas e começava a dar os primeiros passos como escritora e educadora. Diante da delicada situação financeira da família, suas habilidades serviram de base à fundação de um pensionato para moças, iniciando um trabalho de formação juntamente com sua mãe e tias. Problemas econômicos da época fizeram com que a freqüência do pensionato caísse e levaram Antônia a fechá-lo, mas sua qualidade como educadora já era conhecida na corte espanhola. Com a doença da mãe e a idade avançada das tias, Antônia, agora uma mulher culta, inteligente e preparada, foi em busca de trabalho e tornou-se preceptora das filhas da rainha espanhola Maria Cristina de Bourbon, onde permaneceu por 12 anos.

Com o término do seu trabalho junto à família real, em 1862, Antonia fixou residência em Roma (Itália) e retomou o desejo de ser religiosa. Em sua busca vocacional, chegou à vice-presidência da Obra Apostólica em favor das Missões, idealizada por Pe. Serra que, além de amigo, havia se tornado seu diretor espiritual. Em 1864, Antonia mudou-se para Madrid (Espanha), passando a colaborar com o trabalho de Pe. Serra nas Escolas Dominicais e a participar de exercícios espirituais que fizeram renascer a inclinação para a Vida Religiosa. Foi neste momento da sua caminhada que Antonia recebeu o convite de Pe. Serra para ajudá-lo na missão em prol da mulher prostituída.

Ele sensibilizou Antonia para a necessidade de sua participação ativa e missionária na construção da Obra, que ia além do desejo inicial de Antonia em participar do projeto apenas doando seus bens. Apelou para sua experiência como educadora e sua paixão pelo viver missionário, convidando-a a assumir um compromisso com a causa da mulher. Em seu diálogo persuasivo, Pe. Serra disse à Antonia: “Deus a quer fundadora, deixe de lado seus temores, você não desejava ser homem para ser missionário? Pois Deus a quer missionária e mestra de missionárias”.

Impulsionada pelo desejo de ser sempre fiel a Deus e à Sua vontade, após momentos de profunda reflexão, aconselhados pelo seu acompanhante espiritual, Antonia decidiu ir às ruas, às praças e ao Hospital São João de Deus, para conhecer a realidade daquelas mulheres em situação de prostituição descritas por Pe. Serra. Durante este processo, no contato com aquelas fisionomias concretas da dor, Antonia foi descobrindo no rosto de cada mulher prostituída a imagem do Redentor. Depois de muita luta e conflito interior, ela disse “sim” não apenas ao pedido de ajuda do Pe. Serra, mas ao chamado de Deus para a missão e no dia 1 de junho de 1864, a misericórdia ganhou gestos concretos: Pe. Serra e Antonia abriram uma Casa de Acolhida para mulheres prostituídas, em Ciempozuelos, nos arredores de Madri.

O Projeto da Casa de Acolhida recebeu o nome de Asilo Nossa Senhora do Bom Conselho e foi iniciado por duas mulheres, sendo uma francesa e outra espanhola. Em 1868, Antonia elaborou o regulamento da instituição, do qual emanam os objetivos da mesma: recuperar a dimensão humana das moças acolhidas, ajudá-las a encontrar-se com Deus e reincorporá-las à sociedade, se assim for o seu desejo. Movidos pelo crescimento da missão, Pe. Serra e Antonia fundaram, em 1870, a Congregação de Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, quando então Antonia Maria de Oviedo passou a se chamar Antonia Maria da Misericórdia ou, simplesmente, Madre Antonia, devotando definitivamente sua vida à causa das mulheres em situação de prostituição. Atualmente, a Congregação de Irmãs Oblatas nestá presente na Espanha, Itália, Portugal, Argentina, Estados Unidos, Brasil, México, Venezuela, Colômbia, Uruguai, República Dominicana, Guatemala, Porto Rico, Angola e Filipinas.

 


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